sábado, 16 de novembro de 2013

Peça: Vozes de Outrora



BELÉM (trazendo a fronte uma estrela) —
Em mim nasceu o Redentor dos povos!
A Profecia predissera tudo que acontecer devia sobre a terra!
Quando o tempo chegara, o céu se abrira, apareceram anjos, coros sacros e quanto a glória do Senhor encerra!  Cantavam. Harpas dedilhavam ágeis, em meio ao canto, de harmonias cheias, em meio à Festa da Anunciação!
O povo em trevas assentado estava, a Luz raiara, iluminando o mundo, iluminando cada coração!
No firmamento, a Estrela peregrina brilhando andava, assinalando o espaço, a estrebaria onde Jesus nasceu!
Os pastores no campo ouvem, surpresos, a Noticia maior, jamais ouvida, — O Amor aos homens que do céu desceu!

NAZARÉ (com instrumentos de carpinteiro nas mãos)
Em mim cresceu aquele que, da gloria do Pai, ao mundo veio — ao mundo ingrato — a alma perdida a Deus encaminhar!
Operário — o trabalho amou na vida, Mestre — ensinou às multidões a crença, Do coração no trono — quer reinar!
Com a serra, ele separa o Bem do Mal, com o martelo, esmigalha do pecado o poder, que aniquila, abate e mata!
O escopo é o bisturi que abre e descarna a chaga cancerosa, e vê, profundo, o que aflige o mortal, o que o maltrata!
Os nazarenos — que sofrer imenso! — um dia rejeitaram o Messias, Aquele que crescera no seu seio!
Era o Irmão Desconhecido, um paria, o Companheiro, agora indesejável, Ele, que é o nosso mais sublime anseio!

CANÁ (conduzindo uma talha) —
Em Caná, o milagre fez, primeiro, da água vinho puro de uvas frescas, denunciando ao mundo o seu poder!
Foi em mim que Maria, a Mãe bendita, ordenou-nos, a nós servos de Cristo: — Fazei tudo quanto ele vos disser!
O milagre que ensina a utilidade, que evidencia a Fé que nos transforma, que principia em sangue e em sangue acaba!
O Cordeiro imolado — o apodo, o insulto, a cruz, os cravos, maldição e morte, — tempestade de dor que atroz desaba!


BETÂNIA (trazendo livros) —
Em mim passou. E a gloria que trazia encheu de luz os filhos desta terra, a doutrina ensinou do seu perdão!
Um lar — onde a tristeza entrara as portas, fez a alegria retornar. A vida — venceu a morte; a Luz — a escuridão!
Quanto bem, quanta graça, amor infindo, trouxe aqui, para o povo, abrindo a estrada larga, sublime, ao pobre pecador!
A Lázaro — exumou, ressuscitando, A Marta — aconselhou; disse a Maria, ter ganho a melhor parte — o seu Senhor!

NAIM (uma viúva embuçada) —
Era tarde. O horizonte, uma fogueira, o caminho ensombrado. Em breve a noite cobriria o infinito com o seu véu. O filho amado a morte arrebatara, o único arrimo do solar materno, ia a caminho do seu mausoléu!
Ei-lo que surge! E com ele a morte estaca, e o pranto acaba e cessa a dor, e o luto cede o lugar ao gozo, ao riso, a graça! Ao filho ressurgir, tornou-me a dar a alegria da vida!
Ó Cristo amado, tudo se acaba! O teu amor não passa!

JERICÓ (conduzindo uns cachos de uvas e figos) —
Aqui, a terra farta, Jericó, hospedei-o, e feliz, inda sorri entre as parreiras e figueiras bravas! O mundo, andar queria em tua volta imensa e ouvir a tua voz, sondar-te a mente, para ver o que vi — quanto me davas?
Às minhas portas, Bartimeu, o cego, ao saber que Jesus ali estava, ao seu encontro foi, clamando, certo de ter a luz dos olhos! E o milagre — o mundo increu — do cego de nascença, todos conhecem — os de longe e perto!
E de Zaqueu, o rico publicano que a figueira subira, para o Mestre, que entre a turba se achava, contemplar!
A sua conversão ao evangelho, a sua casa inteira aos pés do Mestre, como a Jesus aprouve declarar! 
GALILÉIA (trazendo um barco e rede) —
Ah! que céu e que mar, que lindas praias, quantas saudades, doce Galiléia, quantas recordações tenho de ti! Chamando pescadores, barcos, redes, - Vinde após mim, deixai este trabalho, almas ides pescar! Vinde, segui!
Mais tarde a tempestade o mar revolve e o vento e as ondas emudecem, quando a voz Suprema se ouve, imperativa! A bonança se faz, a alma do crente inflama-se de fé, arde de amor e fica aos pés de Deus, contemplativa!
Galiléia de paz, de maravilhas, testemunha ante os séculos que passam, velozes, como o doido furacão!
Galiléia! O teu mar, as tuas praias, o teu céu sempre azul — palco sublime — trazem saudades e recordação!


CAFARNAUM (com uma lâmpada acesa) —
Em mim foi que Jesus fez maravilhas como nunca se viu! Cafarnaum — a sede do trabalho e da cultura! O inferno, recuando; a Luz, fulgindo, o Poder, em ação: e o evangelho, sendo levado a cada criatura!
Os homens palmilhando outro caminho, os enfermos se erguendo, as sepulturas dando os seus mortos. Cristo é a luz do mundo!

SAMARIA (com um cântaro d’água) —
Meio dia. A cidade sobre o monte; os campos lourejando em trigo; a brisa é suave; o sol passeia o céu profundo!
O poço de Jacó. Jesus chegara e descansava a sua borda, enquanto foram além os servos comprar pão! A mulher desce ao poço cristalino, para água buscar — água terrena — e encontra Água da Vida em profusão!

JERUSALÉM (uma espada, uma coroa e uma cruz) —
Foi aqui. O inimigo me trazia sob o vil cativeiro!
Ele pregava o seu Perdão, a sua Paz e seu Amor!
Rejeitando a Palavra da Verdade, sofri a mais acerba dor — grande martírio — crucificando o Rei, o meu Senhor!
No templo, pelas ruas, nas cidades, nas casas, beira-mar, pelo deserto, ei-lo a falar do seu poder imenso!
Em mim se deu o fato que estremece a natureza inteira — a sua morte — que o mundo inteiro ainda traz suspenso!
Jerusalém! O mundo exclama; o Tempo, o Espaço, a Eternidade, bradam alto;
Ninguém responde! Mas, um dia, o Rei virá nas nuvens claras do infinito, e a terra inteira te verá bendita, indo ao encontro da divina Grei! 
(Cantam a letra abaixo com a musica do hino 497 do Cantor Cristão)

Longe, em Belém, Jesus nasceu, em Nazaré, cresceu, viveu; pelo trabalho, que tanto amou, a alma perdida iluminou!
Foi em Caná — o vinho faltou, d’água, meu Mestre, vinho tornou;
Em Betânia, a morte venceu, em um lar tristonho, alegria deu!

Coro:
Gloria no mundo, Paz, Salvação, tudo deixou-nos e seu Perdão!
Jerusalém! cidade dos céus, em que habitam filhos de Deus!

Em Jerico o cego fez ver, depois Zaqueu salvou com poder;
Na Galiléia — vinde após mim, barcos e redes deixai, enfim!
Cafarnaum és facho de luz, Centro de fé e amor de Jesus;
Ó Samaria, água bebei, glória rendamos ao nosso Rei!

Fonte: Livro Florilégio Cristão.
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