sábado, 16 de novembro de 2013

Peça: As Belemitas


 Cenário: poço, baldes e jarros.
 Entram a 1ª e 2ª belemitas e começam a conversar à beira do poço.

1ª BELEMITA — Você já reparou que rebuliço vai lá por Belém? A vovó disse que nunca viu a cidade tão cheia. É tanta cara desconhecida! Para que tudo isto? Será que vai haver festa?

2ª BEL. — Você não sabe?! O imperador mandou que todos se alistassem, e cada um em sua própria cidade. E assim todos os belemitas voltam a Belém a fim de obedecer à palavra do imperador.

1ª BEL. — Mas é um horror! Não há mais lugar para ninguém. As hospedarias estão cheias. As casas de família já não tem lugar para abrigar o povo. Tomara já se passarem estes dias e voltarmos ao sossego da nossa calma Belém.

3ª BEL. (chegando) — Oh! vocês vieram primeiro do que eu, hein?! Mas lhes conto por que me atrasei. Quando saia de casa, passava um casal ainda à procura de hospedagem. Ela, moça e bonita. Ele, já um tanto envelhecido. Tive tanta pena deles! Não acharam lugar onde pousar. Diz-se que se hospedaram numa estrebaria. Se lá em casa não estivesse tão cheio!...

1ª BEL. — Pois é. Agora mesmo estávamos comentando, isto. Nunca se viu tanta gente assim em Belém. É um burburinho, uma barulhada! Tomara que esse povo já vá embora.

3ª BEL. — Ah! pois eu gosto desta agitação! A vida em Belém tem sido calma demais. Queria que houvesse lugar para abrigar todos que vieram, para aquele pobre casal não ter de ficar numa estrebaria.
Como tenho pensado neles!

2ª BEL. — Eu também gosto. Há mais alegria. E se encontram pessoas tão boas. Esse casal de quem você fala está hospedado naquela estrebaria perto de sua casa?

3ª BEL. — Esta, sim. Coitados!

2ª BEL. — Vamos visitá-los?

3ª BEL. — Vamos, sim. Eles parecem ser tão bons! Ela tem um par de olhos meigos e um sorriso tão puro! Parece uma pessoa muito boa.

1ª BEL. — Eu também quero ir com vocês, posso?

2ª BEL. — Pode, sim. Mas vamos embora, que esta ficando tarde, e os pastores não tardam para dar de beber aos rebanhos.

(Pode-se apresentar aqui a cena dos pastores)

Entra a 1ª Belemita.


1ª BEL. — Que! Sou a primeira a chegar hoje? Onde estão as minhas companheiras?

4ª BEL. (entrando) — Olá, como vai? Há quanto tempo não nos vemos! Onde tem andado? E as outras, já se foram?

1ª BEL. — E verdade! Eu vou bem. Mas você é quem anda sumida. Da ultima vez que aqui estivemos, você não veio.

2ª e 3ª BEL. (entrando apressadas e procurando encher os cântaros) — Oh! vocês ainda por aqui?!

4ª BEL. — É verdade! E sentindo falta de vocês. Por que estão assim tão apressadas?

3ª BEL. — Então vocês não sabem? Ainda não ouviram falar do menino que nasceu na manjedoura?!

1ª BEL. — Ora, e você esta assim tão impressionada com um acontecimento tão sem importância?

2ª BEL. — Sem importância? É porque você não ouviu o que os pastores contaram, minha amiga. Esse menino é o Filho de Deus, aquele de quem os profetas falaram. É chegado o tempo!

1ª BEL. (com interesse) — Que foi?! Que foi que os pastores disseram? Que contaram eles?

2ª BEL. — Os pastores disseram que, enquanto guardavam os rebanhos durante as vigílias da noite, apareceu "o anjo do Senhor, que veio sobre eles, e a gloria do Senhor os cercou de resplendor e tiveram grande temor. Mas o anjo lhes disse: Não temais, porque aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo. Pois na cidade de Davi, vos nasceu o Salvador, que e Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Gloria a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens."

BEL. — Que coisa interessante! Em Belém vir nascer o Filho de Deus?

2ª BEL. — Não é de admirar; cumpre-se a profecia: "E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade."

4ª BEL. — E depois, que fizeram os pastores?

3ª BEL. — "E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente e acharam Maria, José e o menino deitado na manjedoura." E a estrela?! Dizem que no céu refulgiu uma estrela, cujo brilho jamais foi visto tão intenso e lindo! Jesus nasceu! Agora haverá paz no coração da humanidade!

1ª BEL. — E vocês já viram o menino?

2ª BEL. — Vimos, sim. Fomos até Lá e encontramos a criancinha enrolada em panos e deitada na manjedoura. Nós a adoramos! Como somos felizes!

5ª BEL. (entra cantarolando "Nasceu Jesus!) — Oh! amigas, como folgo encontrá-las ainda aqui! Estarão tão felizes e alegres quanto eu? Se vissem o que acabo de ver!...

1ª BEL. — Que foi? Que foi?

3ª BEL. — O menino da manjedoura?

5ª BEL. — Foi, sim!

2ª e 3ª BEL. — Nós o vimos também!

5ª BEL. — E os sábios?

AS QUATRO — Os sábios?

5ª BEL. — Sim, os sábios que vieram do Oriente adorar o menino. Que vestimenta bonita trajavam eles! Disseram que há muito esperavam o cumprimento da profecia e assim que viram a estrela vieram adorar o Filho de Deus. Ajoelharam-se e ofereceram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.

BEL. — Mas, que significa dar ao menino nascido, ouro, incenso e mirra?

5ª BEL. — Dizem que o ouro é símbolo do poder é o reconhecimento de que é verdadeiramente o Filho de Deus, o Rei Todo-poderoso. E a profecia dando os nomes o indica: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." Ofereceram o incenso porque o reconheceram como Deus, pois assim é que o honram, ao Senhor, conforme o próprio Deus ordenou: "Quando alguma pessoa oferecer ofertas de manjares ao Senhor, a sua oferta será de flor de farinha e nela deitara azeite e porá o incenso sobre ela. E trará aos sacerdotes, um dos quais tomara dela um punhado de flor de farinha, e do seu azeite, com todo o seu incenso; e o sacerdote queimara este memorial sobre o altar; oferta queimada e de cheiro suave ao Senhor." E a mirra, como reconhecendo nele o Homem que há de morrer para salvar a humanidade. "Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelos nossos pecados; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados... E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte."
Como somos felizes! "E o seu nome será Jesus, porque ele salvara o seu povo dos seus pecados." Que felicidade!

5ª e 3ª BEL. — Vamos vê-lo?

5ª BEL. — Vamos, sim, vamos adorá-lo!

BEL. — Vamos adorar Jesus, nosso Salvador!

2ª BEL. — Vamos dar-lhe, neste dia, a nossa vida, o nosso amor!
 
TODAS — Vamos depressa!
(Saem pela lateral. Em seguida entram as belemitas e os pastores, que formarão o presépio, para cantar o hino Noite de Paz).
 

 Fonte: Livro Florilégio Cristão da editora JUERP, 18ª Edição.

3 comentários:

  1. Vamos apresentar essa peça na minha igreja. Gostaria de saber como vocês fizeram o poço? Grata,

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  2. O poço foi feito com uma armação de isopor coberto com papelão (usamos uma caixa de papelão de geladeira). Os detalhes das pedras foram feitos com tinta amarela misturada com um pouco de tinta preta (Corante liquido hidracor)

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  3. A "boca" e fundo do poço foram feitas com folhas de isopor recortados em forma de círculo.

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