quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Dia Sexto


Personagens:
Rafael
Jonas
Sara
Jane
Maria
Poliana

Indumentárias: Roupas brancas e faixas coloridas que estarão no chão.

Ao inicio da peça todos os componentes estarão deitados em posição fetal.
Narrador, às escuras – “E disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine os peixes do mar e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: ‘frutificai, multiplicai-vos e enchei a terra, sujeitai-a, dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu. E todo o animal da terra, toda árvore que dá semente e todo o fruto da árvore ser-vos-à para mantimento.’ E viu Deus tudo quanto tinha feito e eis que era muito bom. E foi a tarde e amanhã o dia sexto.”

Após a narração acende-se as luzes e os personagens vão levantando lentamente como se estivessem nascendo. Aos poucos vão descobrindo as suas mãos, pernas, rostos etc. descobrem também o lugar onde estão.

Rafael, tocando o braço de Jonas – Você! Quem é você? Por que estamos todos aqui?

Jonas – Não sei. Sei apenas que existo.

Sara, muito feliz, observa as mãos – Mãos... eu tenho mãos! Posso tocá-las, posso dar bom dia! (com a mão direita espalmada ao alto, cumprimenta os outros em cena.) Bom dia!

Jane, repetindo – Bom dia! É bom falar-lhes assim, agora que estamos todos aqui.

Maria, olhando à sua volta, e descobrindo – Este é o nosso primeiro dia – o dia primeiro da criação dos homens.

Poliana – Mas terá havido outros dias antes deste?

Rafael, rindo – Ora, mas certamente. Isto é o que se chama tempo. Algo dentro de mim fala da existência de outros dias antes de nós.

Sara, alegre – Vejam em que lugar maravilhoso nós estamos(olhando admirada à sua volta) montanhas imensas, vales verdejantes... flores belíssimas de todas as cores: rosas, margaridas, sempre vivas, jasmins, tantas!

Jonas – E o sol, lá em cima a todos iluminando. Imenso carro de Osíris em sua eterna caminhada...

Jane, para Rafael – Você falava da existência de outros dias antes de abrirmos os olhos para a vida. Acho que era os dias em que o Criador enfeitava a terra de árvores e flores, os dias em que cuidava do sol, da lua e das estrelas...

Poliana – Sim, e também criava os animais!
(Rafael sai para o meio do público como passeando).

Maria – Animais... Sim é verdade. Eu já vi alguns deles aqui na floresta. São tigres lindamente pintados, pássaros de mil cores, elefantes, búfalos! Hoje vi enormes búfalos e eles não fazem mal a ninguém.

Sara, rindo – É engraçado como já sabemos os nomes de todas as coisas como se, as palavras já existissem antes de nós, não é mesmo?

Rafael, voltando apressado para o meio de cena – Ei, vocês não imaginam o que descobri por detrás daquelas montanhas.

Jonas – O que foi homem? Que alegria é essa?

Rafael, quase atropelando as palavras – O mar... eu vi! Pude vê-lo com meus próprios olhos; o mar reinando em seu azul.

Poliana – Azul? Então quer dizer que o mar é azul? (encantada.)

Rafael – Sim! Quer dizer, embora também pareça verde, às vezes. Depende do modo em que o olhamos.

Sara – E o mar estava sozinho?

Rafael – Não; claro que não. O mar nunca está sozinho. Haviam as gaivotas muito brancas e barulhentas, que cantavam à sua volta. Mas não era só as gaivotas. Eu vi peixes aos milhares... e até as baleias, que são imensas! (eufórico) Vocês precisam ver as baleias! Elas são como donas dos mares e creio que morarão para sempre naquelas águas.

Maria, alegre – Então vamos todos ver o mar! O que estamos esperando?
(viram-se de costas, mãos dadas, e em seguida voltam-se de frente outra vez, rapidamente. Olham para a platéia que consideram o mar.)

Jane e Rafael – Vejam, chegamos! É o mar!
(soltam-se e começam a expressar gestos de enfiar os pés na água, lavar o rosto, jogar água uns nos outros, alegremente, como crianças.)

Sara – Silêncio! Vamos ouvir o que dizem as ondas, elas estão fazendo um barulho como se cantassem.

Todos, cantam alegremente o hino 124 da Harpa Cristã 1ª e 5ª estrofes:
“Adorai o Rei do Universo/ terra e céus, cantai o seu louvor!/ todo o ser no grande mar submerso,/Louve o Dominador!/
Todos juntos o louvemos!/Grande Salvador e Redentor!/ Todos o louvemos!/Régio Dominador!/
Altos cedros! grama verdejante!/ Esta sinfonia aumentai!/Aves, vermes, todo ser gigante,/Gratos a Deus Louvai!”

Rafael – As ondas falam do Criador, aquele que começou todas as coisas.

Jane – Eu gostaria... sim, gostaria de conhecê-lo.

Jonas – Eu também, e creio que todos nós gostaríamos de conhecê-lo, mas acontece que Ele está sempre entre nós. A paz e a união que temos é o que prova a sua presença. Apenas não podemos enxergá-lo porque a nossa visão é limitada.

Rafael – O amor entre nós é a presença do Criador. Não mais sentiríamos a sua presença se nós nos dividíssemos; se o nosso coração não fosse um só. E saibam: toda a natureza também nos fala de Deus.

Jane e Maria – “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mão.”

Sara – “Um dia faz declaração a outro dia e uma noite mostra sabedoria a outra noite...”

Jonas – “Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes...”

Poliana – “A lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma.”

Rafael e Poliana – “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste...”

Maria – “As aves do céus e os peixes do mar e tudo o que se passa pelas veredas dos mares...”

Todos, com as mãos elevadas para o alto:
- “O Senhor, senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!”
(cantam um corinho de mãos dadas e Jane sai, em seguida entra com um pão à guisa de bandeja.)  
Após o corinho, os personagens se assentam no chão em círculo. Entra Jane.

Jane, entra com um pão – Trouxe o pão, feito do fruto da terra.

Todos, em atitude de oração – Obrigado, Senhor, pelo pão.
(repartem o pão entre todos de modo alegre e sorridente.)

Sara e Rafael, chegando à frente – E eram assim (apontam para a reunião) felizes, antes do conhecimento do pecado.

Maria e Jonas, levantando-se com os demais – E então Deus passeava no Jardim do Éden...

Todos, tornando-se muito sérios, e ficando de frente para o público – Mas houve um dia, um dia diferente de todos os outros dias!

Poliana – O dia em que o mal penetrou no coração do homem. (viram de costas uns para os outros, dois a dois, ficando de lado para o público.)

Rafael, ainda na mesma expressão corporal – E, tendo pecado, afastou-se com isso o homem de Deus! (colocam em seguida as faixas que estavam no chão, para dar a idéia do símbolo do pecado que lhes manchou a roupa.)

Jane – Ao oriente do Éden, o homem levava o sinal de Caim e a marca do medo. (sentam-se no chão, cabisbaixos e tristes, ficando de pé apenas o que dirá o poema, e Jonas que sai de cena, cabisbaixo.)

Sara (ou outro componente) – Principalmente agora Senhor, é que sinto a tua falta;
Na hora de angustia e medo é que percebo, o quanto estou sozinha.
Só agora percebo, e me parece tarde, que estamos – Criador e criatura – separados!...
A tua ausência, Pai, é perder, estando vivo, a própria razão de viver!
Tudo perdi, perdendo eu a ti.
E agora, Senhor, ferida aberta na alma, sou apenas uma enorme sede do teu imenso amor.

Poliana, levantando-se alegremente – Mas, não! Deus não abandonou o homem ao seu próprio destino... Cristo veio habitar entre nós! (levantam todos as mãos para o alto em atitude de louvor e alegria, e permanecem em estático por alguns segundos e, em seguida, começam a representar “O Cego de Jericó”.)

Maria, animada – Dizem que Ele, o Cristo, passará hoje por aqui, de caminho para Jericó!

Rafael – É mesmo verdade? O Mestre pisará por estes caminhos? Onde ouviu a noticia?

Sara, interrompendo alegremente – Ora, não se fala em outra coisa na cidade. Também ouvi hoje cedo, no mercado.

Poliana – Dizem que Ele virá com uma grande multidão, que o acompanha sempre, por onde quer que vá!

Jane – Então poderemos vê-lo? Mas isto é magnífico!

Rafael, muito emocionado – Lá está! (aponta para a porta da rua) É o Mestre! O Messias, que caminha entre o povo.

Jonas, um cego, entra pela porta dos fundos, tropeçando e caindo – Onde? Onde está Ele? (grita) Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Senhor, pois quero ver a luz do sol; toca os meus olhos, filho de Davi!

Todos, estendendo as mãos para Jonas – Vê, a tua fé te salvou!

Jonas, pulando de alegria – Eu vejo! Eu vejo!!! Estou curado. Eu vi o rosto do Mestre Jesus e agora verei o sol. (ajoelha-se.) “Louvado sejas, Deus! Oh! Senhor, obrigado. Louvado sejas!”

Todos, cantam um corinho bem alegre, depois espalham-se pelo público, com o semblante sério.

Rafael – O Cristo esteve entre os homens curando enfermos e ressuscitando mortos.

Poliana – Mas veio principalmente para conduzir os homens ao Céu.

Jane – Veio para o que era seu e os seus não o receberam.

Sara – E retribuíram o seu imenso amor com uma pesada cruz!

Todos – A cruz que o conduziu ao Calvário. (retornam ao centro de cena curvados, cabisbaixos e tristes.)

Rafael, com as mãos para trás – “Senhores, o que é necessário que eu faça para me salvar?”

Todos, muito alegres – “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa.”

Sara, indecisa – Mas ainda hoje, nos dias dos foguetes interplanetários?

Rafael – Sim, hoje nos dias das grandes conquistas espaciais.

Jonas – Agora mesmo estão acontecendo maravilhas nos laboratórios científicos...

Jane, sem esperança – Não, eu não creio que a mensagem de Cristo seja a mesma hoje em dia. As nações disputam o domínio da terra e prevalece o mal contra o bem.

Todos, animados – Ainda hoje sim! – Cristo é o mesmo eternamente!

Maria – Desde a criação, desde o momento primeiro Ele é o mesmo!
Poliana – Mesmo antes que existissem as estrelas no firmamento e antes que a relva crescesse no chão.

Sara – Ele reina sobre os mares, os céus e a natureza inteirinha.

Rafael – E voltará um dia! E todo joelho há de dobrar-se diante dele.

Jonas – Sim, há de voltar! E o povo que é seu o aguarda ansiosamente. (tiram as faixas e jogam pelo chão.)

Poliana – Quem é esse povo de que falas? Estes que estão vestidos de branco, quem são e de onde vieram?

Maria – Os vencedores! Eles serão vestidos de vestiduras brancas e seus nomes não serão riscados, nunca, do Livro da Vida!

Todos, apontando para o público – Vistam depressa de branco os seus corações! De branco como a neve. Aceitem Cristo, que não tarda a voltar!

Fonte: RESENDE, Maria José. Jograis e representações evangélicas. CPAD. Vol. I.
Foto: Arquivo pessoal - GPCD








sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Dia da Bíblia: A Bíblia e Sua Influência Poderosa.

Aparece, em um canto do cenário, uma moça com vestes compridas e uma faixa, onde se lê: "A Bíblia", e ainda com uma Bíblia em suas mãos. À sua frente, e juntas, aparecem quatro moças com vestes compridas também e com faixas com suas respectivas inscrições. Elas representam em sua ordem: a nação, a escola, o lar e a igreja.)

A NAÇÃO — Vedes este livro? É a Bíblia. O livro mais maravilhoso, mais útil, mais conhecido. Eu represento a Nação e tenho uma palavra de agradecimento à Bíblia, porque este livro tem exercido salutar e benéfica influencia em minha vida e em minha história. Tenho muitos inimigos, todos eles hipócritas, que pretendem fazer-me bem, quando somente males me causam; seus nomes vós os conheceis, pois que vos perseguem também. São eles o maldito licor, a prostituição, os jogos de azar e outros mais; mas conto entre meus melhores amigos a Bíblia, porque ela é uma conselheira insuperável. Aponta-me um caminho digno a seguir e me apresenta uma base firme, sobre a qual eu possa levantar o edifício de minha história. Diz-me que a justiça me engrandece mais do que o pecado me afronta. E assim é. Eu vejo em minhas irmãs as demais nações. Os Estados Unidos são uma nação grande e prospera porque seus alicerces estão na Bíblia.
Como eu quero ser grande também, vou incentivar a circulação da Bíblia, estimular sua leitura e vou reger minha vida segundo seus princípios. E por vós, que tem feito este Livro?

A ESCOLA — Sim. Eu represento a Escola. Por mim passam todas as gerações, os futuros cidadãos e pais de família. Graças à influencia deste livro, as escolas públicas tiveram sua origem na Alemanha no século XVI. A Bíblia contém o mais alto e enobrecedor ensinamento. Ela me ajuda a forjar o bom caráter na juventude; também é para mim uma muralha de defesa contra os ensinos do ceticismo, do materialismo e do racionalismo. Nela aprendi que o principio da sabedoria é o temor a Deus.

O LAR — Pois, amigas minhas, eu sou o Lar, e não posso ficar atrás. Tenho também, como vós, uma palavra. Os lares constituem a armação óssea no organismo de toda nação. Devo muito a este livro. O bem que em mim existe, ele é que me tem proporcionado. Leio suas paginas benditas diariamente. Minha vida moral está muito ameaçada, mas neste livro encontro força e refrigério. Os melhores lares são aqueles que não se apartam de suas sabias instruções. "Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele."

A IGREJA — Chegou a minha vez. Eu sou a Igreja, e, talvez, mais que vós, tenho que agradecer à Bíblia, porque em grande parte devo a ela a minha existência. Desempenho uma missão divina no mundo, e sou a luz inextinguível de Deus na terra, mas devo todas as minhas vitórias a este Livro. Quando me oriento estritamente por ele, a vitoria me sorri; quando, como em alguns períodos tristes de minha historia, me desvio de seus ensinos, o fracasso me abate. Toda a minha seiva, a tiro dali; ela é para mim um manancial de vida e espada invencível do Espírito. Eu a guardo em meu seio como a herança mais preciosa e o mais rico tesouro. Com ela irei sempre, de luta em luta, até a consumação dos séculos.

A BIBLIA — Tenho-vos escutado com a máxima atenção e com apurado interesse. Agradeço vossas palavras. Mas desejo vos dizer que toda essa grandeza, essa influencia e esse poder não são meus. Devo-os a Cristo, o Filho de Deus, porque é ele o centro de minha mensagem, o coração que me da vida. Sem ele, eu seria um livro como outro qualquer. Minha missão é proclamar Seu nome. Meu objetivo, manifestar sua glória. Minha ambição, que todos os homens cheguem a conhecê-lo como seu Salvador. Sim, e como o tendes reconhecido, eu sou a Bíblia. Eu abro as minhas paginas de ouro aos que me buscam. Para todos tenho uma mensagem de amor. Se estiverdes tristes, em mim achareis alegria; se estiverdes sedentos, eu dou a água da vida; se estiverdes famintos, eu vos regalo com pão substancioso.
Eu venho de um lugar: o céu; vivo em um mundo: a terra; proclamo uma mensagem: o evangelho; apelo a um ser: o homem; glorifico o meu autor: Deus. O segredo de minha grandeza, o centro de minhas palavras e o selo de minha vitoria é Jesus.
Eu sou a luz: quero guiar-vos; eu sou a verdade: quero instruir-vos; eu sou a vida: quero salvar-vos.
Eu sou a carta do viajante, a estrela do navegante, a espada do soldado e a arma invencível do cristão.
Lede minhas palavras, pregai minhas mensagens, amai meus ensinos, obedecei aos meus mandamentos e vivei meus preceitos.
Minhas vitorias e tudo mais deponho humildemente aos pés de Jesus Cristo.

(Então, a Nação, a Escola, o Lar e a Igreja cantam o hino "Minha Bíblia". Enquanto cantam, a Bíblia se retira.)

Livro: Florilégio Cristão.
Appleby, Rosalee Mils, Florilégio cristão. 18a edição. Rio de Janeiro, Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1987. 303 p.


Peça Para Evangelismo: Salva Para Servir

Adapt. de R. M. R.

(Colocar sobre o palco: uma cadeira, uma cesta de papeis, uma mesa pequena com um vaso de flores, onde não estorve a vista do auditório, e umas plantas e palmas ao fundo do palco.)

PERSONAGENS:
Maria e Eunice, moças em trajes costumeiros.
Riqueza — Moça ou senhora, vestida ostentosamente, muito enfeitada de jóias e levando um saco em que esta escrita a palavra "Ouro"; dentro deste, alguma coisa que de a idéia de estar cheio de dinheiro. Deve ter faixa a tiracolo, com a palavra "Riqueza" em letras grandes.
Tempo — Uma senhora vestida de capa comprida de cor cinzenta clara, com uma tira atravessando diagonalmente o corpo, do ombro direito ate a cintura do lado esquerdo, em que esteja escrita a palavra
"Tempo". Três rolos compridos ou tubos de papelão, marcados, respectivamente, "Futuro", "Passado" e "Presente", devem ser preparados para representar os "telescópios" (aparelho com que se observa objetos
distantes).
Beleza — Uma jovem vestida na moda com certo exagero e vaidade, tendo uma faixa em diagonal, onde
esta escrita a palavra "Beleza".
Prazer — Uma jovem vestida muito na moda, de aspecto jovial e brincalhão. Terá uma faixa a tiracolo, com a palavra "Prazer".
Serviço — Uma senhora ou moça, com vestes brancas até ao chão, presas a cintura por um cordão branco. No peito colocara uma tira, aplicada diagonalmente, em que esteja escrita a palavra "Serviço".

Rute, Ester, Lídia, Dorcas, Ana de Ava e Noemi Campelo — Podem ser representadas por moças e senhoras que levam apenas uma placa, visível ao auditório, com o nome da personagem que representam, ou
poderá vestir-se cada uma de acordo com o nome que assumiu. Rute poderia levar um molho de trigo, Ester teria a cabeça uma coroa, Dorcas levaria uma agulha na mão, e assim, por diante, conforme se achar bem.

Indiozinhos — Crianças, tendo todas um cordel em torno da cabeça e que serviria para prender uma pena de galinha atrás. Seria preferível se todos se vestissem de modo idêntico, de caqui, por exemplo.

Portugueses — Crianças com blusas vermelhas e saias ou calças verdes. Ou então, todas de branco com duas faixas diagonais, vindo uma de cada ombro, uma vermelha e outra verde. São estas as duas cores da
bandeira portuguesa.

Bolivianos — Crianças com blusas amarelas e saias ou calças verdes com uma faixa vermelha. Ou então todas de branco, com faixas nas cores verde, amarelo e vermelho (faixa tricolor), que são as da bandeira
boliviana.
(Entra Maria e atira-se a uma cadeira com ar de cansaço.)

MARIA (monologando) — Como estou cansada! A reunião das moças sempre me enfada. Aquele programa sobre o Serviço não me agradou. Não somos velhas ainda — a mocidade tem que gozar a vida um pouco. A-a-a-a (bocejando), como estou com sono! (dorme).

Faz-se ouvir a musica do hino 325 do Cantor Cristão , apenas a primeira estrofe, tocada suavemente pela organista, e iniciado antes que Maria acabe de falar. Mal acaba o hino, começa Riqueza a falar.

(Entra Riqueza, levando um saco, marcando Ouro. Aproxima-se de Maria, que se levanta e olha confusamente para Riqueza.)

RIQUEZA (oferecendo o saco de ouro) — Eis que te trago, aqui dentro deste saco cheio de ouro, gozo e felicidade incontáveis. Meu nome e Riqueza e posso te dar alegria todos os dias. O dinheiro e a chave mágica que abre as portas ao verdadeiro gozo.

MARIA (aceita o saco, olha-o com um sorriso e diz:) — Imaginem o que isso comprara — roupas, jóias, viagens, automóvel, casa. Isso só pode trazer-me a maior das bem-aventuranças.

TEMPO (entra enquanto Maria esta falando e toca-lhe no ombro por trás. Maria vira-se, espantada) — Faze a tua escolha com prudência. Eu sou o Tempo. Considera a mim e o que os anos te trarão. As dádivas da
riqueza são bastante sublimes para durar sempre? Olha aqui por este telescópio e vê o Futuro. (Tempo entrega o telescópio marcado Futuro a Maria, que olha por ele para o lado esquerdo, enquanto se ouve a musica do hino 259 Cantor Cristão , uma estrofe.)

MARIA (Poe o telescópio na mesa e espera, cabisbaixa, o fim da musica) — Vejo que o dinheiro não pode comprar as coisas que satisfazem. O Futuro revela que não ha gozo permanente no dinheiro (e entrega o saco de ouro a Riqueza, que sai tristemente, enquanto Beleza entra pelo outro lado do palco).

MARIA — Quem vem entrando aqui? Oh! e a Beleza!

BELEZA (Entra, olhando-se num pequeno espelho e pondo pó de arroz. Em seguida, estende as mãos para Maria e diz:) — Trago-te aqui o dom da beleza, que e a fonte de imensa felicidade.

MARIA (sorrindo e dando um passo para Beleza) — Disto e que preciso. (Sente neste momento a Mão do Tempo sobre o seu ombro e para, hesitante.)

TEMPO (colocando o telescópio do Futuro diante dos olhos de Maria) — Cuidado, não te esqueças de que os anos podem trazer-te o arrependimento, se escolheres a Beleza como teu padrão.
(Maria olha pelo telescópio e a musica continua com o coro do hino 259).

MARIA (tristemente) — Vejo que a beleza passa e, que e que fica? Desejo uma coisa que me proporcione gozo permanente.
(Sai Beleza, e Maria olha para o outro lado do palco, por onde entra Prazer, com um copo de vinho em uma das mãos.)

MARIA — Ah! e Prazer que vem agora!

PRAZER (fala com muita vivacidade) — Venho oferecer mil alegrias, risos, danças, folguedos. "Comamos e bebamos, que amanha morreremos."

MARIA — E isso que sempre disse. A mocidade deve brincar e gozar.
(Tempo aplica o telescópio do Futuro aos olhos de Maria)

TEMPO — Devagar, se prudente. Os folguedos limparão os olhos das tristezas da vida e darão gozo real por todos os anos? (A musica toca o coro do hino 259.)

MARIA — Ah!... Sinto-me velha e sozinha, cansada do prazer. Desejo uma coisa que perdure.
(Prazer sai e Serviço entra pelo outro lado.)

SERVIÇO (com os braços estendidos para Maria) — Não trago dádiva de prazer ou de riqueza, apenas dum espírito puro e bondoso, que vive para os outros e procura imitar Cristo em tudo. "Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos."

MARIA (virando-se para o Tempo) — Pode mostrar-me alguém no passado que já experimentou a vida de serviço e achou o caminho de verdadeira satisfação? Quero as provas.
(Começa a musica do hino 300 do Cantor Cristão e Tempo apanha o telescópio marcado Passado e coloca-o diante dos olhos de Maria.

Fazendo-a voltar o rosto para à direita, aponta para a porta, por onde entram, uma por uma, Rute, Ester, Lídia, Dorcas, Ana de Ava e Noemi Campeio, com o espaço de mais ou menos dois metros entre cada uma. Atravessam o palco devagar e desaparecem do outro lado.)

MARIA — Vejo Rute, que abandonou o lar paterno, a pátria, a religião da infância, para servir a Noemi; Ester, que se pôs em perigo de vida para ser útil ao seu povo; Lídia, a negociante de púrpura, que abriu a
sua casa e seu coração ao evangelho; Dorcas, que consagrou sua agulha as necessidades das viúvas e órfãos; Ana de Ava, que tão jovem deixou casa e pátria, para compartilhar com os labores missionários do
esposo. Noemi Campeio, primeira mártir das Missões Nacionais nas selvas da nossa Pátria. Será que ainda hoje se precisa de serviço como no passado?
(Cada personagem deve iniciar sua travessia do palco somente quando Maria pronunciar o seu nome. A musica continua baixinho durante todo o tempo que estiverem passando.)

TEMPO (colocando a vista de Maria o telescópio marcado Presente) — Com isso vê se pode apanhar uma visão das condições de hoje.
(Ouve-se a musica do hino 30 de Cânticos para Crianças , e, pela ala do salão, vem para o palco um grupo de crianças representando os índios. Cantam a 1ª estrofe e o coro, ajoelham-se e estendem os braços para Maria durante o cântico do coro. Ficam de pé e agrupam-se a um lado do palco. A musica continua e vem para o palco outro grupo de crianças, representando Portugal, que canta a 2a estrofe; também ajoelham-se e estendem os braços para Maria durante o cântico do coro. Em seguida, ficam de pé e agrupam-se a um lado do palco. A musica continua. Entram as crianças representando a Bolívia, que cantam a 3ª estrofe e o coro. Ajoelham-se estendendo os braços para Maria e depois se juntam as outras crianças, ao lado do palco.)

MARIA (estendendo os braços para Serviço) — Deixa o teu espírito encher-me o coração, pois desejo ir aos campos necessitados e fazer a minha parte em salvar os perdidos.

SERVIÇO — Muitas são as oportunidades para servir. Não são apenas os índios e os portugueses que reclamam os dons das mocas. De toda parte vem as chamadas para professoras, enfermeiras, trabalhadoras e obreiras das igrejas. "Salva para servir" deve ser a divisa de toda moca crista. O serviço e o caminho da felicidade, e o meio de garantir o gozo permanente. Viver pelos outros e a maneira de atingir a verdadeira satisfação.

MARIA — Vejo agora que e a vida de serviço que estou procurando. Nem riqueza, nem prazer, nem formosura me tentam mais. Em nome de Jesus, alegremente servirei naquilo que me for possível. "Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim."
(Senta-se, e a musica começa a tocar o hino 295. Os que estão no palco saem, cantando as palavras em voz baixa. Maria fica na cadeira, como se estivesse dormindo. Entra Eunice apressadamente, com um exemplar de O Jornal Batista nas mãos, e para, ao ver Maria.)

EUNICE — Maria! (Maria acorda) Você esta dormindo? Acorde! Quero falar-lhe.
MARIA — Ah! sim! Estava tão cansada que dormi e tive um sonho tão belo! Não lho posso contar agora; um dia vou dizer-lhe tudo. Este sonho, porem, me deu a idéia de que queria servir a causa de algum modo especial.

EUNICE — E justamente sobre este assunto que lhe quero falar. Ha bastante tempo que me senti chamada para o serviço e não sabia como me preparar, mas aqui em O Jornal Batista esta explicado. (Abre o Jornal e olha para ele como se estivesse lendo um artigo) Aqui diz que as moças batistas que desejam ser obreiras na Causa devem entender-se com o Seminário de Educadoras Cristas, no Recife, ou com o Instituto
Batista de Educação Religiosa, no Rio de Janeiro, conforme for mais perto e conveniente e investigar as condições de entrada. Isto eu vou fazer, pois quero preparar-me o quanto antes para o serviço.

MARIA - Eu também. Vamos já conversar com o Pastor e consultar a sua opinião sobre a nossa ida ao Colégio.

EUNICE — Salva para servir! E a Bíblia nos diz: "Os que forém sábios resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos induzirem a justiça, como as estrelas sempre e eternamente."

(Saem, enquanto a musica toca o hino 410 do Cantor Cristão .)

Fonte: APPLEBY, Rosalee M. Florilégio Cristão. JUERPE, 18ª Edição.